Cinema

Cena de Central do Brasil, de Walter Salles Jr., com Fernanda Montenegro e Vinícius de Oliveira.O filme Central do Brasil foi um marco da cinematografia brasileira. Primeira produção nacional a conquistar o Urso de Ouro de melhor filme e o Urso de Prata de melhor atriz para Fernanda Montenegro no Festival de Berlim, o filme dirigido pelo carioca Walter Salles Jr. já foi exibido em quase 30 países, conquistou 18 prêmios e foi indicado para o Oscar na categoria melhor filme estrangeiro e melhor atriz.

De certa forma, Central do Brasil revive o sucesso de O Pagador de promessas, dirigido por Anselmo Duarte, que em 1962 ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes.

A boa fase que atravessa o cinema brasileiro reflete o amadurecimento da arte no país, cuja produção vem aumentando progressivamente desde 1995. O marco dessa trajetória que alia qualidade ao êxito comercial, é o filme Carlota Joaquina - Princesa do Brazil, longa de estréia da atriz Carla Camurati, que levou 1,2 milhão de pessoas ao cinema.

Em 1996 O Quatrilho, de Fábio Barreto, concorre ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Barreto leva O que é isso, Companheiro?  à mesma indicação dois anos depois.

Essa escalada resgata um passado de grande e expressiva produção, com destaque para Vidas Secas, de Nélson Pereira dos Santos, de 1963, que inaugura o ciclo do chamado Cinema Novo, algo equivalente a Nouvelle Vague francesa e o neo-realismo italiano.

Cartaz do longa-metragem Deus e o Diablo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, lsnçado em 1964.Este movimento, com enfoque na realidade brasileira,  cunhou o lema "Uma camêra na mão e uma idéia na cabeça", cujo autor, Gláuber Rocha, produziu filmes hoje considerados cult, como Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra Em Transe.  Seguem produções que marcaram época - Os Fuzis, de Rui Guerra; A Grande Cidade, de Carlos (Cacá) Diegues, e Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade.

Ainda na década de 60, o cineasta José Mojica Marins, lança o personagem Zé do Caixão no filme À Meia Noite Levarei Sua Alma, até hoje um sucesso internacional. Nos anos 70, com o país sob o regime dos militares, surge o cinema marginal, o underground brasileiro, com a obra A Margem, de Ozualdo Candeias, O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla, e Matou a Família e Foi ao Cinema, de Júlio Bressane.

Em meados da década, um quarteto de cômicos forma o grupo Os Trapalhões, liderado por Renato Aragão, o Didi, cujos filmes, até 1976, são vistos por mais de 100 milhões de pessoas. Em 1976, Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto, estourou nas bilheterias e vira produto de exportação.

O final dos anos 70 marca o fim da censura, com a retomada de temas nacionais, como Bye bye Brasil, de Cacá Diegues e P'ra Frente, Brasil, de Roberto Faria.  O Brasil real surge nas telas com Eles Não Usam Black-tie, de 1981, de Leon Hirszman, vencedor do Leão de Ouro em Veneza. O mercado internacional absorve fitas como Memórias do Cárcere, de Nélson Pereira dos Santos; Pixote, a Lei do mais fraco e O Beijo da Mulher-aranha, ambos de Hector Babenco. Parahyba mulher macho, de Tizuka Yamazaki, retrata um pedaço da história do Brasil antigo, e Eu Sei Que Vou Te Amar, de Arnaldo Jabor,  enfoca a solidão urbana.

O diretor de cinema Glauber Rocha.A Hora da Estrela, de Susana Amaral, é o maior sucesso de 1985. A adaptação da obra da grande escritora Clarice Lispector comove o país, e consagra a principal protagonista, Marcélia Cartaxo, ao receber o prêmio de melhor atriz do Festival de Berlim.

No início dos anos noventa, o cinema brasileiro sofre profunda crise ao perder o apoio oficial. Só em 1993, com a criação da Lei de Audiovisual, a produção é retomada. Em sete anos de lei, foram realizados 120 filmes, o que representou um investimento da ordem de US$ 200 milhões 573 mil para o setor.

A parceria com a televisão produz filmes como Veja Esta Canção, de Cacá Diegues. Em 1995, a retomada das grandes produções inaugura a co-produção com outros países, resultando em obras como  Terra Estrangeira, de Walter Salles Jr., com Portugal, e Jenipapo, de Monique Gardenberg, com os Estados Unidos.

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