| Cinema
De certa forma, Central do Brasil revive o sucesso de O Pagador de promessas, dirigido por Anselmo Duarte, que em 1962 ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes. A boa fase que atravessa o cinema brasileiro reflete o amadurecimento da arte no país, cuja produção vem aumentando progressivamente desde 1995. O marco dessa trajetória que alia qualidade ao êxito comercial, é o filme Carlota Joaquina - Princesa do Brazil, longa de estréia da atriz Carla Camurati, que levou 1,2 milhão de pessoas ao cinema. Em 1996 O Quatrilho, de Fábio Barreto, concorre ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Barreto leva O que é isso, Companheiro? à mesma indicação dois anos depois. Essa escalada resgata um passado de grande e expressiva produção, com destaque para Vidas Secas, de Nélson Pereira dos Santos, de 1963, que inaugura o ciclo do chamado Cinema Novo, algo equivalente a Nouvelle Vague francesa e o neo-realismo italiano.
Ainda na década de 60, o cineasta José Mojica Marins, lança o personagem Zé do Caixão no filme À Meia Noite Levarei Sua Alma, até hoje um sucesso internacional. Nos anos 70, com o país sob o regime dos militares, surge o cinema marginal, o underground brasileiro, com a obra A Margem, de Ozualdo Candeias, O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla, e Matou a Família e Foi ao Cinema, de Júlio Bressane. Em meados da década, um quarteto de cômicos forma o grupo Os Trapalhões, liderado por Renato Aragão, o Didi, cujos filmes, até 1976, são vistos por mais de 100 milhões de pessoas. Em 1976, Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto, estourou nas bilheterias e vira produto de exportação. O final dos anos 70 marca o fim da censura, com a retomada de temas nacionais, como Bye bye Brasil, de Cacá Diegues e P'ra Frente, Brasil, de Roberto Faria. O Brasil real surge nas telas com Eles Não Usam Black-tie, de 1981, de Leon Hirszman, vencedor do Leão de Ouro em Veneza. O mercado internacional absorve fitas como Memórias do Cárcere, de Nélson Pereira dos Santos; Pixote, a Lei do mais fraco e O Beijo da Mulher-aranha, ambos de Hector Babenco. Parahyba mulher macho, de Tizuka Yamazaki, retrata um pedaço da história do Brasil antigo, e Eu Sei Que Vou Te Amar, de Arnaldo Jabor, enfoca a solidão urbana.
A parceria com a televisão produz filmes como Veja Esta Canção, de Cacá Diegues. Em 1995, a retomada das grandes produções inaugura a co-produção com outros países, resultando em obras como Terra Estrangeira, de Walter Salles Jr., com Portugal, e Jenipapo, de Monique Gardenberg, com os Estados Unidos. |
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