Literatura

Monteiro Lobato, autor de O Sítio do Pica-pau Amarelo.A literatura brasileira é variada em estilos e tendências.  A abordagem da realidade do país se consolidou com o movimento modernista ocorrido em 1922, no estado de São Paulo. A chamada Semana de Arte Moderna brasileira tinha como proposta "devorar" a cultura importada que impregnava todas as manifestações artísticas do país.

Essa tendência antropofágica caracterizou os escritores modernistas e a obra dos seus principais precursores - Oswald de Andrade (1890-1954) e Mário de Andrade (1893-1945), e os poetas Manuel Bandeira (1886-1968) e Cassiano Ricardo (1895-1979). Renovada, a atividade literária no Brasil enriqueceu com o surgimento de grandes nomes, como Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), Pedro Nava (1903-1984), e José Lins do Rego (1901-1957). A abordagem de temas da vida brasileira na literatura nacional aboliu séculos de influência européia, desde o primeiro registro literário do Brasil - a carta do escrivão Pero Vaz de Caminha enviada no século 16 ao Rei de Portugal com a descrição da Nova Terra descoberta em 1500. O índio e os desbravadores do país seriam protagonistas de muitos escritos. A linguagem rebuscada do romantismo cantaria o Brasil na prosa de José de Alencar (1829-1877), no épico O Guarani, e no verso de Gonçalves Dias (1823-1864), autor do belo poema Canção do Exílio, entre outros grandes autores da época.

Graciliano Ramos (1892-1953), autor de grandes obras como Vidas Secas e Angústia.A história política e social do país está registrada nas obras de seus autores. Alguns exemplos: Castro Alves (1847-1871), narra os horrores do transporte de escravos negros para o Brasil no poema épico O Navio Negreiro. Lima Barreto (1881-1922), registra a linguagem popular em obras-primas como Triste fim de Policarpo Quaresma;  Aluísio Azevedo (1857-1913) trata da pobreza e dos vícios humanos nos romances naturalistas O Mulato e O Cortiço; Euclides da Cunha (1866-1909) descreve a saga da Guerra de Canudos em Os Sertões.

Machado de Assis (1839-1908), insere o cotidiano e os costumes nacionais em romances clássicos. Machado, um dos escritores brasileiros mais conhecidos no exterior, escreveu, entre outras obras, Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro.

A literatura brasileira contemporânea lega ao país uma obra densa e preocupada com os rumos da vida nacional, mas fiel ao temperamento  e cultura do povo. Festejada como maior poeta da língua portuguesa, Cecília Meireles (1901-1964) canta o amor e a morte e escreve uma das mais importantes obras da literatura social do Brasil - o Romanceiro da Inconfidência, sobre Tiradentes, um revolucionário brasileiro.

Jorge Amado, escitor brasileiro de grande projeção, traduzido em dezenas de países.Nos anos sessenta, o país literário vive o impacto da revolução lingüística de Guimarães Rosa (1908-1967), autor de Grande Sertão: Veredas, e de Clarice Lispector (1920-1977), considerada a Virgínia Woolf brasileira, autora dos clássicos A Maçã no Escuro e A Paixão Segundo G.H. A crítica literária atinge o seu refinamento com Otto Maria Carpeaux, Antônio Cândido e Antônio Houaiss. O romance regionalista ganha fôlego na região Nordeste com Jorge Amado, seguramente o autor brasileiro mais traduzido no exterior, desde os livros da fase de cunho social (Capitães da Areia), até os de costumes (Gabriela, Cravo e Canela e Dona Flor e seus Dois Maridos). Na região Sul, Érico Veríssimo (1905-1975) conta a saga do Rio Grande do Sul em O Tempo e o Vento. Na década de setenta, a situação política do país, governado por militares, estimula a "literatura do mimeógrafo" de jovens e rebeldes autores. Esta fase estimula a literatura sintonizada com este momento brasileiro, destacando-se Quarup, de Antônio Callado (1917-1997) e Zero, de Inácio de Loyola Brandão.

Na década de oitenta, com a volta ao regime democrático, predomina o romance urbano e o pluralismo criativo. Rubem Fonseca retrata a violência urbana em A Grande Arte. O país lê as obras de Caio Fernando Abreu, João Gilberto Noll, Hilda Hilst, Nelida Piñon, Haroldo de Campos, Paulo Leminski, Ana Miranda, Dalton Trevisan e Adélia Prado, entre muitos outros. A explosão épica de Viva o Povo Brasileiro, um traçado da identidade brasileira por João Ubaldo Ribeiro encanta os leitores de vários países do mundo.

Ilustração de O Sítio do Pica-pau Amarelo, de Monteiro Lobato, clássico da literatura infanto-juvenil que encanta os leitores ainda hoje, após várias gerações.A literatura brasileira lança novos nomes nos anos noventa. Chico Buarque de Hollanda, um dos mais criativos compositores do país, escreve Estorvo, Francisco Dantas revisita o tema regionalista. Temas que abordam o final do milênio e o romance memorialístico garantem espaço editorial. Fernando Morais consolida o romance-reportagem conciso com Chatô, o perfil de um poderoso empresário de comunicação do país. Carlos Heitor Cony lança Quase Memória, um suave depoimento de uma vida, e Ferreira Gullar escreve o livro de poemas Muitas Vozes.

Por seu acervo, conteúdo e qualidade editorial, a literatura brasileira tem lugar garantido entre as melhores do mundo.

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