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Literatura
A
literatura brasileira contemporânea lega ao país uma obra densa e preocupada
com os rumos da vida nacional, mas fiel ao temperamento e cultura do
povo. Festejada como maior poeta da língua portuguesa, Cecília Meireles
(1901-1964) canta o amor e a morte e escreve uma das mais importantes
obras da literatura social do Brasil - o Romanceiro da Inconfidência,
sobre Tiradentes, um revolucionário brasileiro. Nos
anos sessenta, o país literário vive o impacto da revolução lingüística
de Guimarães Rosa (1908-1967), autor de Grande Sertão: Veredas, e
de Clarice Lispector (1920-1977), considerada a Virgínia Woolf brasileira,
autora dos clássicos A Maçã no Escuro e A Paixão Segundo G.H.
A crítica literária atinge o seu refinamento com Otto Maria Carpeaux,
Antônio Cândido e Antônio Houaiss. O romance regionalista ganha fôlego na
região Nordeste com Jorge Amado, seguramente o autor brasileiro mais traduzido
no exterior, desde os livros da fase de cunho social (Capitães da Areia),
até os de costumes (Gabriela, Cravo e Canela e Dona Flor e seus
Dois Maridos). Na região Sul, Érico Veríssimo (1905-1975) conta a saga
do Rio Grande do Sul em O Tempo e o Vento. Na década de setenta,
a situação política do país, governado por militares, estimula a "literatura
do mimeógrafo" de jovens e rebeldes autores. Esta fase estimula a literatura
sintonizada com este momento brasileiro, destacando-se Quarup, de
Antônio Callado (1917-1997) e Zero, de Inácio de Loyola Brandão.
Na década de oitenta, com a volta ao regime democrático, predomina o romance urbano e o pluralismo criativo. Rubem Fonseca retrata a violência urbana em A Grande Arte. O país lê as obras de Caio Fernando Abreu, João Gilberto Noll, Hilda Hilst, Nelida Piñon, Haroldo de Campos, Paulo Leminski, Ana Miranda, Dalton Trevisan e Adélia Prado, entre muitos outros. A explosão épica de Viva o Povo Brasileiro, um traçado da identidade brasileira por João Ubaldo Ribeiro encanta os leitores de vários países do mundo. A literatura
brasileira lança novos nomes nos anos noventa. Chico Buarque de Hollanda,
um dos mais criativos compositores do país, escreve Estorvo, Francisco
Dantas revisita o tema regionalista. Temas que abordam o final do milênio
e o romance memorialístico garantem espaço editorial. Fernando Morais consolida
o romance-reportagem conciso com Chatô, o perfil de um poderoso empresário
de comunicação do país. Carlos Heitor Cony lança Quase Memória, um
suave depoimento de uma vida, e Ferreira Gullar escreve o livro de poemas
Muitas Vozes.
Por seu acervo, conteúdo e qualidade editorial, a literatura brasileira tem lugar garantido entre as melhores do mundo. |
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